DIA 25.11.11 – CARTA A UM MELANCÓLICO: UTOPIA EM TEMPOS DE FIM DO MUNDO

Enviado por Lígia Marina, seg, 12/26/2011 - 10:24

"Companheiros, na minha prática de contadora de histórias venho observando, a partir do retorno das crianças, que a depressão parece estar se espalhando entre os homens como epidemia... Talvez a depressão se dê pelo fato das pessoas não estarem encontrando saídas para seus labirintos internos, fruto de um grande labirinto externo, formado por uma rede de oposições. A partir da sua vivência nessa II SEMANA BRECHT – TEATRO e DIALÉTICA peço que você escreva uma carta ao melancólico/a relatando seu processo nesses dias. Este relato é absolutamente livre, não precisa se relacionar necessariamente com narrar sua participação nos exercícios ou ser sua opinião sobre a semana, mas sim uma escrita sobre seus pensamentos sobre sua própria autodivisão, sobre um mundo dividido em classes sócias, sobre a cisão, o corte e o lamber de feridas. Peço que depois dessa escrita você leiam uns para os outros essas cartas e que por favor, digitem-nas no computador e mandem para o email: limarina70@gmail.com.
Obrigada a todos por ajudar a cuidar das minhas feridas e as feridas do mundo..."

1.
Carta para um coração Aflito

A vida é cheia de altos e baixos, muitas vezes, mais baixos do que altos, mas, cabe a cada um de nós encarar essas dificuldades/problemas de forma positiva. Pois o que seria do homem se não fosse as dificuldades que a vida nos impõe no dia a dia? Será que teríamos um bom caráter? Será que aprenderíamos a viver melhor, ou não?
Vejo essas dificuldades, como grandes montanhas difíceis de serem escaladas, onde muitas vezes os ventos que nela bate nos força a abandonar tudo largar e cair, ou a apenas voltar a traz, mas, se prestarmos atenção, veremos que a distancia cr voltarmos seria a mesma de se chegar ao topo da montanha. Então, por que não continuar e prosseguir a escalada?
Nessa subida aprenderemos a confiar naqueles que estão conosco nessa escalada, aprenderemos a ser persistentes e ansiosos para saber o que nos espera, aprenderemos a ter esperança e fé e confiança sempre. Ou seja, não veja as dificuldades que a vida nos impõe como uma tragédia, ou algo que vai te destruir, mas, veja como uma força que vai te moldar e lapidar ternando-o uma pessoa melhor e mais forte.
O ouro para se tornar limpo, puro e reluzente ele deve passar pelo fogo e o mesmo acontece com o homem no geral, Deus permite certas situações em nossas vidas mesmo as ruis, pois Ele em sua magnitude e em sua infinita bondade sabe que, com ela iremos amadurecer e assim como uma criança ao aprender a andar cai e se machuca, mas mesmo assim ela não desiste e de aprender a andar, terá a alegria de sua conquista que é andar!

Att.

Neuma

2.
Carta aos melancólcos

Ver lá dentro. Olhar pra si.
Enxergar as mazelas e os pontos que nos puxam em forças opostas, mas que estão presentes em nós. Não se envergonhar de ser muitos, todos, em uma contradição infinita de desejos e potencialidades desperdiçadas.
Sou feliz na minha infinitude em me perceber insignificante diante do mundo e, ao mesmo tempo, a mais concreta e perfeita confusão ambulante, apaixonada e dotada de todas as imperfeições, sujeiras e de todos os brilhantes.
Sendo assim, cada qual no mundo tem seu lugar dentro de si mesmo, para encontrar sua força e sua gloria. E cada um vai achar o lugar em que quer colocar o dedo no mundo.
Aline

3.
Para aquele que se encontra perdido.
Para aquele no vácuo.
Para nós mesmos.
Para si mesmo.
:
O olhar é reflexo. Pensas naquilo que espelhas.
Se não lhe agrada a imagem, tome posição e altere-a. É seu movimento, sua iniciativa que transforma.
Nem sempre nos encaixamos na posição que queremos. E tudo parece estar errado. Proponho que analise sua postura na figura e compreenda o que pode fazer para altera-la.

P.S.: Amigo,
Eu lhe escrevo de um lugar comum.
Posso partilhar do que pensas.
Posso apenas vivenciar.
Campo Grande, 25 de Novembro de 2011
Ana Paula

4.
Melancólico
Você não é integrante de classe como causa de fato já posto de antemão. Você é classe de exclusão, em que se exclui de si mesmo sem se incluir em nada mais. Você é a ausência de contradição, é a própria coerência lógica por excelência e dono da vontade que julga sua, como são seus os outros e todos os que nem mesmo são. Você tem ausência da falta, lhe sobra o excesso de tudo e por isso não tem como transbordar, mas acumula. Por ser um e não vários basta a si mesmo e se usufrui no espelho. O outro, antes de ser outro é apenas mais um você. O vazio precisa de espaço e ocupa todo seu ser ao ser o que lhe sobra: o tudo é o nada que agora lhe atinge a alma. Sua certeza é dúvida que não fala, sua lógica é dialética sem voz. Você é a imagem do que vai fazê-lo ruir na ausência, pela falsa impressão de ter, pelo falso desejo de se esconder. Resta-lhe uma enorme dor de amor não correspondido de si mesmo.
Alfredo